O estádio do Canindé, que completou 57 anos da inauguração na última sexta-feira, é considerado um dos maiores trunfos da história do clube e também uma parte da história da colônia luso-brasileira. Palco de alegrias, tristezas, decepções e glórias, com certeza, se as paredes do estádio do Doutor Oswaldo Teixeira Duarte falassem, muitas histórias seriam contadas para os lusitanos que a frequentam.
Entre essas histórias podemos destacar a da estudante Thais Santos. A jovem, de 18 anos, revelou ao Lusa News que praticamente cresceu dentro da arena lusitana. Além disso, destacou que o amor pelo clube cresceu com o passar dos anos.
“Quando minha mãe estava grávida ela ia ao estádio com o meu pai, meu irmão e boa parte da minha família e assim lembro de ter “nascido” dentro do Canindé. Ficar correndo e fazendo festa pela arquibancada era a minha diversão. Confesso que nunca pensei que esse amor iria crescer ano após ano, mas hoje sinto que eu não escolhi torcer para a Portuguesa, mas ela me escolheu”, afirmou.
A jovem aproveitou e comentou sobre quando seus pais se conheceram. De acordo com ela, o primeiro encontro dos dois aconteceu durante uma festa da torcida organizada Leões da Fabulosa, que aconteceu no local “e a partir dai foi amor a primeira vista”, completou.
“O Canindé é sinônimo de felicidade, de paixão, adrenalina, emoção… É lá que as expectativas se tornam reais, que o amor é transmitido através das palmas e que o coração fica sem controle. Em poucos segundos tudo pode mudar, e não tem lugar melhor pra estar se não for dentro do grande Canindé“, finalizou.
Dentre as milhares de histórias que cercam as paredes da arena verde encarnada outra a ser destacada é do jornalista Marcos Teixeira. Ele lembra detalhadamente do primeiro confronto em que assistiu na arena lusitana como se fosse ontem e ostenta o amor pelo clube verde encarnado desde pequeno.
“O primeiro jogo que assisti no Canindé foi em 1985, no Campeonato Paulista. O duelo foi entre Portuguesa e Marília, num sábado à tarde. Foi 2 a 0 para Lusa, com gols do Toninho e do Toquinho“, comentou.
Entre as histórias das vezes que ele foi para o estádio, ele lembra de um confronto diante do União São João. O episódio é visto de forma cômica pelo profissional, já que aconteceu em uma cobrança de pênalti a favor da Rubro-Verde.
“Eu dançava no Grupo Folclórico da Lusa e quando saímos do ensaio fomos, meu pai e eu, assistir ao jogo. Meu pai, que não é lá um dos torcedores mais fanáticos, estava sentado atrás do gol e não viu a Lusa marcar, de pênalti, pois estava distraído. Pô! De pênalti, e ele não viu!”, ressaltou, aos risos.
Histórico
Em 1956, a Portuguesa adquiriu o terreno que hoje foi erguido o Canindé. Adquirido de um proprietário, que anteriormente havia comprado do São Paulo, incluía um campo para treinos, o restaurante com um salão, vestiários e outras pequenas depedências. Para que pudessem ser realizados jogos, atendendo às exigências da Federação Paulista de Futebol, foram construídos um alambrado, um campo oficial e uma arquibancada provisória de madeira, que acabou conferindo ao estádio o apelido de “Ilha da Madeira”.
A inauguração aconteceu em 11 de janeiro daquele ano, onde aconteceu um duelo entre a Lusa e um combinado Palmeiras-São Paulo. O time do Canindé venceu, por 3 a 2, de virada.
Na gestão do presidente doutor Oswaldo Teixeira Duarte, no dia 9 de janeiro de 1972, foi inaugurado o primeiro anel do então chamado estádio Independência, com capacidade para 10 mil pessoas. O jogo inaugural foi um amistoso entre a Portuguesa e o Sport Lisboa e Benfica, de Portugal, que terminou com derrota lusitana, por 3 a 1, e o benfiquista Vítor Batista foi o autor do primeiro gol no estádio. O jogo nem chegou ao fim, suspenso devido às chuvas torrenciais que caíam sobre São Paulo.
Em 1984, por decisão do Conselho Deliberativo, resolveu fazer uma homenagem ao mandatário e o estádio passou a se chamar “Dr. Oswaldo Teixeira Duarte”, em homenagem ao presidente que inaugurou o estádio. Em 1973, iniciaram-se as obras para a construção do segundo anel.
Os refletores foram inaugurados em 11 de janeiro de 1981, onde foi realizado o Torneio do Refletores, que contava com a participação de Corinthians, Fluminense e Sporting. Na primeira rodada, a Portuguesa venceu o Fluminense nos pênaltis por 4 a 3, após empate de 1 a 1 no tempo normal e o Sporting venceu o Corinthians por 1 a 0. Na final, realizada no dia 15 de janeiro, a Portuguesa venceu o Sporting por 2 a 0, com gols de Caio e Beca.





